quinta-feira, 6 de março de 2014

Será que para o governo federal o desalojamento de famílias devido a obras para a Copa do Mundo é um mero efeito colateral?


      A pouco mais de 100 dias para abertura da Copa do Mundo, equipes do governo federal foram enviadas para as capitais que receberão os jogos. O motivo é o descontentamento de moradores de áreas que foram atingidas pela desapropriação por conta das obras relacionadas com a Copa e a Olimpíada. Muitas famílias foram pressionadas a deixarem suas casas mediante indenizações. No entanto estas indenizações não são suficientes para que continuem morando na mesma região. Além disso, muitos moradores foram removidos para muito longe do seu local de trabalho. De acordo com relatórios da Secretaria de Controle Interno (Ciset), o descontentamento é motivado pela falta de informação por parte do poder público sobre o processo de remoção dada aos moradores de áreas desapropriadas e pode servir de estopim para manifestações durante o Mundial.

      Auditores do Ciset criticaram as remoções de moradores na capital fluminense onde acontecerá a final da copa: "A ausência de transparência e diálogo é um padrão mantido nas ações de planejamento e intervenções urbanas ligadas aos megaeventos da Copa e das Olimpíadas na cidade do Rio de Janeiro". "Todos os fatos citados são agravados pela inexistência de tentativas concretas do poder público de dialogar com os moradores atingidos e de planejar conjuntamente alternativas às remoções", dizem os trechos do relatório. Em são Paulo, onde ocorrerá a abertura da copa também há descontentamento por parte de moradores de Itaquera, onde está em construção a Arena Corinthians.

      O governo federal, mais preocupado com o risco de manifestações que podem prejudicar a campanha de reeleição da presidente Dilma do que com as famílias desalojadas, tenta na reta final negociar com os moradores. Parece que para o governo federal o fato de famílias perderem suas moradias devido as obras para a Copa do Mundo e a Olimpíada não passa de um mero efeito colateral provocado pela realização dos megaeventos no país.

     

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