A pouco mais de 100 dias para abertura da
Copa do Mundo, equipes do governo federal foram enviadas para as capitais que
receberão os jogos. O motivo é o descontentamento de moradores de áreas que
foram atingidas pela desapropriação por conta das obras relacionadas com a Copa
e a Olimpíada. Muitas famílias foram pressionadas a deixarem suas casas
mediante indenizações. No entanto estas indenizações não são suficientes para
que continuem morando na mesma região. Além disso, muitos moradores foram removidos
para muito longe do seu local de trabalho. De acordo com relatórios da
Secretaria de Controle Interno (Ciset), o descontentamento é motivado pela
falta de informação por parte do poder público sobre o processo de remoção dada
aos moradores de áreas desapropriadas e pode servir de estopim para
manifestações durante o Mundial.
Auditores do Ciset criticaram as remoções
de moradores na capital fluminense onde acontecerá a final da copa: "A
ausência de transparência e diálogo é um padrão mantido nas ações de
planejamento e intervenções urbanas ligadas aos megaeventos da Copa e das
Olimpíadas na cidade do Rio de Janeiro". "Todos os fatos citados são
agravados pela inexistência de tentativas concretas do poder público de
dialogar com os moradores atingidos e de planejar conjuntamente alternativas às
remoções", dizem os trechos do relatório. Em são Paulo, onde ocorrerá a
abertura da copa também há descontentamento por parte de moradores de Itaquera,
onde está em construção a Arena Corinthians.
O governo federal, mais preocupado com o
risco de manifestações que podem prejudicar a campanha de reeleição da
presidente Dilma do que com as famílias desalojadas, tenta na reta final
negociar com os moradores. Parece que para o governo federal o fato de famílias
perderem suas moradias devido as obras para a Copa do Mundo e a Olimpíada não
passa de um mero efeito colateral provocado pela realização dos megaeventos no
país.

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