domingo, 9 de fevereiro de 2014

Feminismo: toda conquista deve ser sustentada



          Até os anos 80, o homem ainda podia matar sua esposa ou amante e alegar legítima defesa da honra e desta forma escapar da cadeia com penas simbólicas. Hoje a sociedade já reconhece como crime. Esta mudança de consciência e as demais conquistas se devem a um grupo de mulheres que se mobilizaram e enfrentou a polícia, o Estado, a igreja, mudaram as leis e plantaram as primeiras sementes da igualdade de gênero. Este movimento ficou denominado feminismo e hoje, nós mulheres, colhemos os primeiros frutos desta luta.
          Em 1988 o lobby do batom levou parlamentares a incluírem na constituição direitos iguais aos dos homens para as mulheres. As feministas lutaram por delegacias especializadas e em 2006 conseguiram aprovar a lei Maria da Penha. No entanto, alguns excessos protagonizados por uma minoria acabou criando uma espécie de "machismo ao contrário" e uma série de mitos e estereótipos agregaram-se a palavra feminismo fazendo com que o conceito entrasse em baixa. As feministas passaram a ser vistas como mulheres mal amadas, radicais e anti homens.
          O desconhecimento sobre a história e as bandeiras do feminismo é um dos principais fatores que levam as jovens de hoje a cometerem tais equívocos e jogar na lama o movimento que nos libertou de uma condição subalterna milenar. O feminismo não é uma guerra contra os homens, muito pelo contrário, as batalhas do movimento só foram ganhas com o apoio de homens que votaram pela equiparação de direitos em uma época em que nós mulheres não tínhamos o espaço que temos hoje na política. Por tanto, o feminismo não é apenas para mulheres, mas também para homens que amam as mulheres. As verdadeiras feministas não aceitam que um gênero possa dominar o outro, logo, o movimento não consiste em uma queda de braços entre os dois gêneros, mas em uma tentativa de conviver em harmonia e igualdade de direitos.
          O feminismo não pode ser arquivado em um museu e visitado como curiosidade histórica, deve permanecer ativo tendo em vista que ainda é alto o índice de mulheres que sofrem violência domestica, que são assassinadas, que ainda são menos remuneradas que o colega do sexo masculino mesmo desempenhando o mesmo tipo de trabalho. Apesar das conquistas já alcançadas ainda há muito que se fazer e além disso, não basta vencer a batalha é preciso manter a vitória. Toda conquista deve ser sustentada e esse trabalho é para nova geração de mulheres.

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