Até os anos 80, o homem
ainda podia matar sua esposa ou amante e alegar legítima defesa da honra e
desta forma escapar da cadeia com penas simbólicas. Hoje a sociedade já
reconhece como crime. Esta mudança de consciência e as demais conquistas se
devem a um grupo de mulheres que se mobilizaram e enfrentou a polícia, o
Estado, a igreja, mudaram as leis e plantaram as primeiras sementes da
igualdade de gênero. Este movimento ficou denominado feminismo e hoje, nós
mulheres, colhemos os primeiros frutos desta luta.
Em 1988 o lobby do batom levou
parlamentares a incluírem na constituição direitos iguais aos dos homens para
as mulheres. As feministas lutaram por delegacias especializadas e em 2006
conseguiram aprovar a lei Maria da Penha. No entanto, alguns excessos
protagonizados por uma minoria acabou criando uma espécie de "machismo ao
contrário" e uma série de mitos e estereótipos agregaram-se a palavra
feminismo fazendo com que o conceito entrasse em baixa. As feministas passaram
a ser vistas como mulheres mal amadas, radicais e anti homens.
O desconhecimento sobre a história e
as bandeiras do feminismo é um dos principais fatores que levam as jovens de
hoje a cometerem tais equívocos e jogar na lama o movimento que nos libertou de
uma condição subalterna milenar. O feminismo não é uma guerra contra os homens,
muito pelo contrário, as batalhas do movimento só foram ganhas com o apoio de
homens que votaram pela equiparação de direitos em uma época em que nós
mulheres não tínhamos o espaço que temos hoje na política. Por tanto, o
feminismo não é apenas para mulheres, mas também para homens que amam as
mulheres. As verdadeiras feministas não aceitam que um gênero possa dominar o
outro, logo, o movimento não consiste em uma queda de braços entre os dois
gêneros, mas em uma tentativa de conviver em harmonia e igualdade de direitos.
O feminismo não pode ser arquivado em
um museu e visitado como curiosidade histórica, deve permanecer ativo tendo em
vista que ainda é alto o índice de mulheres que sofrem violência domestica, que
são assassinadas, que ainda são menos remuneradas que o colega do sexo
masculino mesmo desempenhando o mesmo tipo de trabalho. Apesar das conquistas
já alcançadas ainda há muito que se fazer e além disso, não basta vencer a
batalha é preciso manter a vitória. Toda conquista deve ser sustentada e esse
trabalho é para nova geração de mulheres.

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